quinta-feira, março 11, 2010

Violão esquecido

Mané:


Cláudio
eu não tenho o contacto do Filipe, por isso, peço a você que pergunte a ele se é dele um violão que desde aquela noite, está no Tejo. É que quando soube da desfeita que
o Sérgio fez, fechei a casa às pressas e alguém deixou a viola. Já perguntei a uma porção de gente. Só falta o Pedro Godinho e o Filipe.
Grato. Desculpe a maçada.


Re:Violão esquecido


Boas Mané,

Julgo que a viola não é dele, de qualquer das formas vou reencaminhar o e-mail para que ele te possa responder com mais certeza.

Disponha sempre. Um Abraço.


Re: Re:


Valeu.
problema é que a viola é boa pacas. se fosse noutro sítio já teria aparecido um monte de dono. Já pensou se quem perdeu teve um ataque de amnésia?! O Tejo vai estar bem servido.


Mané:


Amigo Pedro
alguém esqueceu um violão no tejo bar. Já procurei pacas e não apareceu o dono. E é tão bom que, se fosse noutro sítio já teria aparecido um monte de dono.


Re: Violão esquecido


Se se cala o violão, cala-se a vida

porque a vida, a vida é busca de harmonia,

consolo com som, com cordas e concordância

com amor, à meia-noite, até a noite virar dia

e o sono virar substância, e os fantasmas fantasia

que na fina companhia da morfina-melodia
pululam na nossa mente, ululam um canto demente

de máscara, de mescla, de mística, de morte

ou de musa, de tão infernal beleza,

tão triste filosofia...

ou alegre esquizofrenia...

Se se ausenta um violeiro, não se cala um violão...

...nem o som bendito de sua imortal canção ao infinito...


Mané:


Por essa resposta do Pedro Godinho, o violão é de todos.


Cláudio:


Caríssimo Mané,

Lembrei-me do seguinte: na sexta passada, antes do brilharete do nosso amigo Sérgio estava por lá um fadista que às tantas se sentiu indisposto, com dores numa perna e até foste tu quem o ajudou a sair. Talvez a viola seja dele, de qualquer das formas julgo que já tinha tido tempo de sentir falta dela. Se não tem dono é do Tejo, é do povo, é de todos.

Abraço


Mané:


Pelo lindo poema-resposta o violão é de todos. Ói ele aqui fazendo bonito.
http://www.youtube.com/user/tejobaralfama#p/u/3/l587qc_db1M

Mais sobre o Violão esquecido


O violão é PARA todos poderem tocar e disfrutar

no bar que é PARA a música se fazer e se escutar

quanto a propriedade, não sei se é próprio da idade

mas o que veio do esforço meu quero continuar a meu chamar...

que entre comunismo e bem comum

vai a diferença entre um por todos e todos por um...

e que o violão siga fazendo bonito,

quando o dono precisar ele dá um grito.


Mané:


Esse experto poema do Pedro Godinho é a resposta: É dele ou seja, é do povo.

Seu poema

Agora ilustrado.

Foto: Vitor Martinho


Re: Seu poema

Oi Mané!

Rapaz, eu não gostei de ver publicado por você algo

(dois algos) escritos por mim que em primeiro lugar não são nem pretenderam ser poemas, e em segundo lugar são respostas a mensagens suas que não aparecem, portanto estão descontextualizadas...

Pensei queixar-me à Alta Autoridade para a Comunic

ação Social, só que esta é muito alta e eu sou baixinho. Então pensei na Baixa Autoridade, mas poderia rolar baixaria. Por fim acho que achei a solução: uma de duas: ou bota o contexto ou tira o texto. Há uma outra, que é deixar tudo como tá, mas aí arrisco-me a problemas de interpretação e arrumar uma zanga com amigos comunistas (SIM!, ainda tenho...) ou pior, ser agraciado por extremosos elementos de extrema direita com elogios por alguma frase politicamente a

proveitável.

Em qualquer dos casos tanto a música como o violão

como o bar como o sujeito em questão podem ser acusados de anti-comunismo primário, o que não é verdade; meu anti-comunismo é perfeitamente secundário, e secundado por uma experiência de vida terceirizada... o próprio violão é o segundo, já que o primeiro emprestei a um cidadão e para conseguir reaver ou haver este, tive que levantar meu pé à altura da cabeça do dito cidadão (bom, é verdade que ele estava sentado) em pleno chiado no fim da tarde. Portanto se querem que o violão seja de todos vão ter de se organizar e ir TODOS ao chiado levantar o pé na cabeça do cidadão. Também aceito se for lá no tejo às quatro da manhã com o

cidadão tocando nesse violão e todo mundo botando o pé na c

abeça dele, e aí filmar e botar no blog. Afinal é graças a isso que o violão tá aí. O resto é música.

E se publicar esta, não faça festa, porque entra em

fria,

e desta vez, cuidado com o cidadão...dá asia...

...e ainda...

...tou avisando...ele tem uma turma legal...


um abraço cidadónico...



Já tá! Diria o cidadão

Caro Pedro
Já tirei os versitos-amigos
e proponho ajeitarmos essa conversa que vai em anexo para publicarmos.
Diz qualquer coisa.


Re:Já tá! Diria o cidadão

Por mim, desde que vá a versão integral, tá valendo. Só não sei o que o cidadão pode achar. Mas o que está lá é rigorosamente verdade. Se o violão não se incomodar de sair na fotografia... Agora, NA VERDADE, o violão que eu esqueci foi o outro...afinal havia outro... o que já estava no tejo e eu ia trazer pra trocar cordas, por isso levei aquele...os dois são de minha propriedade e até hoje ainda não apareceu ninguém (tirando o cidadão) exigindo estatização...e o tejo não tem proclamado direito de saque...que sigam fazendo bonito, como as canções do Tozé Brito...e eu vou trocando cordas, que disso sim! é que o tejo precisa com urgência e com frequência...



segunda-feira, março 01, 2010

O escritor que o Manolo não conhecia


Depois de quase duas décadas morando em Portugal, com uma data de livros publicados e alguns prémios na algibeira, não era de se estranhar que o meu nome fosse indicado para participar do Encontro De Pedra e Palabra, em Santiago de Compostela, organizado pelo PEN Clube da Galícia. E lá fui eu entre Scármeta, Nélida Piñon, Rui Zink, Paulo Seco e tantos que bem se sabia a procedência. Mas quem era aquele Mané entre os parêntesis do nome Jorge de tal, do Brasil entre outros parêntesis. Isso sim estranhou o organizador do evento que prontamente procurou o Manolo, pois em se tratando de artistas brasileiros, o Manolo é uma fonte, se não mais rápida, mais confiável que a Internet. Manolo coçou a cabeça, cofiou o bigode e garantiu com o seu português das origens: “Escritor brasileiro com esse nome, nom conheço!” E se o Manolo não conhece, não existe. Mas quem é o Manolo? Esse, todo mundo conhece e, se não, é fácil saber quem é. Basta procurar um pouco da boa história do Brasil e encontrá-lo à frente do Antonio’s, restaurante que viu o nascer da TV Globo, o florescer da Bossa Nova e muitas das aprontações do Roniquito. Como se não bastasse ser o dono do Antonio’s ainda foi o pau-para-toda-a-obra da directoria do MAM. Manolo estava certo. Eu como escritor brasileiro não existo. E como português? Bem… sinto-me como se fosse um português que se descobrisse jogador de futebol numa equipa brasileira ou como aquele japonês que toca tamborim na bateria de uma escola de samba. Um estranho sem ninho.

sábado, fevereiro 13, 2010

quinta-feira, fevereiro 04, 2010

O Número E

3


O Número E

O senhor Emanuel era orgulhosíssimo do seu nome por este ser o primeiro nome do Nosso Senhor Jesus Cristo. Mais cioso era com a letra “E” pois era ela que fazia a diferença com Manuel, muito mais comum em terras deste Portugal tão cristão, que queria dizer o mesmo “Deus é convosco”, mas que era uma corruptela. A letra E dava mais proximidade ao original, que ele nunca soube dizer se era aramaico ou hebraico, e soava melhor. Quando alguém por descuido lhe chamava “Senhor ‘manuel!” Ele prontamente endireitava com um gesto gelado: “E!” Tanto assim que nem se incomodava quando por picardia ou brincadeira chamavam-lhe de “E”. E assim ficou sendo o senhor E.
- Quem é o E?
- É o Manuel que mora no número três!
Era o chiste mais comum nas rodadas de sueca ou dominó. Ele aceitava com desportivismo. Numa madrugada, retirou a placa muito mal colocada pelo funcionário camarário e recolocou-a de cabeça para baixo, com todo o esmero. Mediu os cantos, centrou-a e chumbou-a muito bem chumbada para dissuadir qualquer tentativa de reposição. O carteiro não se atrapalhou. As gozações cessaram. E os poucos que notavam, imaginavam que poderia ser desatenção, ignorância, dislexia ou simplesmente que quem fez o serviço estava bêbado. Mas a ninguém aquilo incomodava, nem aos empregados da Câmara. E o senhor Emanuel rejubilava.

Mané do Café

quinta-feira, janeiro 14, 2010

Um abraço do Pedro Godinho

Oi Mané, olá Janeca, um abraço a todos e todas, o tejo bar já cantou no espirito santo, e voltará a cantar...noel rosa anda solto pela bahia.... três mulheres vão pedir pensão sem dúvida na chapada diamantina.... e o fado vai amarinhando pelas costas mulatas do brasil... agora é que eu tou vendo o quanto o tejo bar já faz parte do mundo... o mundo aprende rapidinho cada refrão, e esfrega as palmas das mãos...e viva a vizinha! Um abraço caloroso, que o verão aqui manda até jazz ...

sexta-feira, setembro 21, 2007

Vila Morena - Documentário

Para todos aqueles que ainda não tiveram oportunidade de ver o documentário "Vila Morena". VILA MORENA Autores: Alice Rohrwacher e Alexandra LoureiroDvCam, 36', 2005 "Existe um lugar, talvez o centro cultural mais escondido do mundo, talvez a sala de estar da Mira e Mané, talvez o local de conspiração de uma revolução, seguramente um bar. Vila Morena é pequena história da utopia que encontrámos no tejo bar: a utopia da construção duma nova família, ou da destruição da ideia de família, a utopia de estar juntos ou de estar sozinhos, mas juntos." 



sábado, fevereiro 17, 2007

sexta-feira, outubro 20, 2006

APRENDER DE NOVO

Mamã
Venha
Trazer
Meu
Jantar
Sopa
Uva
Nozes e...
...já não há mais Pão!

sábado, setembro 30, 2006

SUKIAKI É O...

SUKIAKI É O…


Versão Tejo bar da música “Ue o Muite Arukou”, de Rokusuke Ei/Hachidai Nakamura que fez grande sucesso mundial na década de 60 e ficou internacionalmente conhecida pelo título dado pelo mercado estadunidense que na dificuldade(?) de falar o nome original, chamou-a de Sukiaki, que é um nome de comida e nada tem a ver com o original.


Você vai caminhando
Sempre a olhar o céu
P’ra não deixar
Rastro do choro
Pelo chão onde pisou
Isso é ilusão
Abre o coração
Olha p’ra frente. Já passou

Se ela não o quer
Esquece essa ingrata
Siga o seu caminho
Vá comer pastéis de nata

Você vai caminhando
Sempre a olhar o céu
P’ra não mostrar
Que nessa história
Você ficou tão “down”
Deixa de bobagen
Faça uma viagem
Ou vá comer um bacalhau

Se ela não o quer
Deixe lá, cague nisso
Siga o seu caminho
Vá comer pão com chouriço

Se ela não o quer
E você sentiu o baque
Siga o seu caminho
Vá comer um Sukiaki

Se ela não o quer
E você ficou na mão
Encha a sua pança
Vá-se embora p’ro Japão

Ue o Muite
Arukou
Namida ga
Koborenai yoni
Omoidasu
Haru no hi
Hitoribotchi no Yoru

sexta-feira, setembro 01, 2006

DONA PETA DESAPARECIDA


Aqui Dona Peta vista pelo paciente pincel de Luis Morgadinho. Aguardemos pois, em breve o Mané vai contar sobre o desaparecimento da pintora.

segunda-feira, agosto 28, 2006

T'ES JOBARD


T'es jobard de venir au Tejo bar!

Só mesmo num sítio de malucos para se ter tamanha euforia apenas com água, apesar das pedras.

Na foto, Olívia e Sérgio em estado de graça.

AZINHAGA DOS BESOUROS


A Azinhaga dos Besouros (Pontinha, Amadora) está por estes dias a ser demolida casa a casa, por determinação da Câmara da Amadora. É um bairro que já alojou cerca de mil famílias, que foram em grande parte realojadas num outro bairro, não muito longe dali. Mas cerca de 50 famílias, consideradas excluídas do plano de realojamento, não tiveram qualquer ajuda. A quase totalidade dessas famílias é oriunda de Cabo Verde, Guiné ou outros países africanos, com muitos dos habitantes já nascidos em Portugal, e alguns a residir há mais de trinta anos no bairro. Em decorrência de um processo de listagem e levantamento das situações familiares e económicas deficiente, ou da desresponsabilização do Estado Português em certos casos, foram ignorados pela Câmara da Amadora, que demoliu a maior parte das casas e deixou acumular destroços, entulho, lixo e esgotos rebentados durante meses enquanto uma providência cautelar era examinada por um tribunal. Este decidiu a favor da Câmara que, curiosamente, já depois de o Governo ter manifestado preocupação e declarado a intenção de actuar em favor dessas e outras pessoas na mesma situação, apressou-se a mandar destruir o que resta do bairro. Sendo que este continua a ter gente que não tem recursos financeiros para ir para outro lugar. Sendo que se trata em muitos casos de famílias numerosas, ou a precisar de assistência médica constante. Sendo que não dispõem de familiares ou amigos em condições de os abrigar ou apoiar. Sendo que estão tomados pelo descrédito nas autoridades, o desalento, a frustração, o cansaço e em certa medida, e cada vez mais, a revolta. Uma revolta compreensível, uma vez que ninguém ali espera favores especiais ou esmolas, mas sim justiça social e igualdade perante um Estado para o qual contribuíram e contribuem, e o qual pouco ou nada retribuiu.
Esta revolta já se estende a quem conhece esta triste realidade, E quem desejar conhecer também o cenário de toda esta história, tem pouco tempo para o fazer, mas tem a possibilidade de ver e sentir um ambiente que mais parece situado no Médio Oriente, e uma atitude da autarquia que lembra um Portugal de outros tempos. Tempos em que os portugueses temiam, calavam por medo e emigravam às centenas de milhar, e em que não consta que tenham sido tratados por algum outro Estado desta maneira.
Contra as sementes de revolta pode haver sementes de esperança. Aqui fica o convite para ir conhecer esta realidade do Portugal de 2006. Para observar o cenário deste filme absurdo e real. Para imaginar o que poderá passar-se na cabeça de dezenas de crianças que vêem sem compreender, e a quem um dia alguém terá de explicar que País é este, que é também o seu.
Venha à Azinhaga dos Besouros. Vai ver que não esquecerá.

VENHA À AZINHAGA DOS BESOUROS !

Venha conhecer o maior espectáculo da actualidade nacional! o HIPER-REALISMO TRIDIMENSIONAL DA SENSIBILIDADE AUTÁRQUICA! a ACÇÃO DOS JUSTICEIROS DO ASFALTO, A ENERGIA DEMOLIDORA E O PODER fragmentador de quem quer, pode e manda!

É caso para cantar junto com Vinicius de Moraes
Era uma casa/Foi derrubada
Não tem mais tecto/Não tem mais nada
Ninguém mais pode/Entrar nela não
Porque na casa/Não tem mais chão
Ninguém mais pode /Dormir na rede
Porque na casa/Não tem parede
Ninguém mais pode /Fazer pipi
Já nem penico/Tem mais ali
Foi derrubada/Com um estouro
Na Azinhaga/Dos Besouros